Mas o programado é sempre diferente do realizado. Apesar dos participantes serem os mesmos, nossa programação começou a mudar logo na saída, pois só conseguimos sair de BH na sexta-feira 18/06 às 17:45hs em direção ao Alto Caparaó. Na saída de BH nos perdemos e pegamos um grande engarrafamento em Santa Luzia. Somente estes dois imprevistos nos rendeu um atraso de mais de 2 horas de viagem. Como não seria possível chegar no parque antes das 22hs, decidimos ir para o sítio do Magnus em Manhuaçu, pernoitar e sair assim que acordássemos.
Mesmo com a saída de BH um pouco estressada, a viagem até Manhuaçu foi bastante tranquila. Paramos no Beleus para comer seus famosos pasteis e em Manhuaçu para comprarmos algo para fazer um lanche no sítio.
Chegamos no sitio por volta das 00hs, acomodamos nossas bagagens e fomos preparar o rango: ovo frito e pão de queijo com linguiça.
Acordamos por volta das 7hs, tomamos café, passeamos um pouco no sítio e fomos em direção ao Parque do Caparaó.
Desde a entrada do parque até o Terreirão o que impressiona além da paisagem é a infra-estrutura para os turistas. Achei todo o percurso muito bem sinalizado com placas informativas sobre a região, trilha bem demarcada, banheiros bem conservados e limpos nas áreas de camping.
Na tronqueira tem um mirante com uma vista muito bonita para um grande vale, onde podemos avistar o Alto Caparaó e outras pequenas cidades e/ou distritos.
Nossa escalaminhada começou na Tronqueira a 1970m de altitude. Deixamos o carro no estacionamento, jogamos nossas mochilas nas costas e fomos em direção ao Terreirão.
No Terreirão armamos acampamento, fizemos um rango rápido e exploramos um pouco a região. Lá em cima a temperatura cai muito rápido, chegamos por volta das duas horas e assim que o sangue esfriou da caminhada tivemos que começar a vestir as roupas de frio.
A cada hora que passava mais uma peça de roupa era vestida. Por volta das 20 hs o frio estava ficando insuportável e já tínhamos vestido todas as nossas roupas. Nesta hora o jeito foi entrar para dentro das barracas, dentro dos sacos de dormir e tentar descansar para a escalaminhada rumo ao Pico que começaria às 02hs30min de domingo. Por volta das 24hs o frio estava insuportável e maltratava muiiiiiiiiita gente despreparada.
As barracas haviam congelado e a temperatura ainda estava despencando. Quando saímos do Terreirão rumo ao Pico a temperatura estava em -6 Graus. É muito frio, todos os objetos que estavam fora da barraca estavam cobertos por uma fina camada de gelo. As extremidades do corpo como mãos e pés doíam, chegou um momento que nem sentia mais o dedão do pé.
A lua estava cheia o que facilitava muito a escalaminhada, quase não precisávamos de lanterna. Nossa estratégia é caminhar em um ritmo bem fraco para não transpirarmos muito e não chegarmos muito cedo no topo. O sol só saíria por volta das 5hs45min, então chegar muito cedo significaria sentir muiiiito frio.
A escalaminhada estava indo muito bem, até que por um descuido acabei caindo em um buraco e deslocando meu joelho. Já tenho o joelho fudi... a bastante tempo e pisar em falso com a perna esquerda a chance de cair é grande. Imediatamente após a queda senti uma dor muito forte e não consegui mais apoiar a perna esquerda no chão.
Pra minha sorte o Josmar e o Luiz estavam ao meu lado neste momento. Então tive que passar minha mochila para o Josmar, a mochila do Josmar que era pequena seria carregada pelo Luiz que já estava carregando sua mochila. O Josmar então apertaria o ritmo da caminhada até encontrar o Magnus que estava sem mochila, carregando apenas um saco de dormir e lanterna.
Após reagruparmos, dividimos novamente a bagagem, diminuímos mais ainda o ritmo para que pudéssemos caminhar sempre junto. Chegamos ao topo às 5hs10min e o sol começou a nascer às 05hs30min.
Apesar da dor e do frio o esforço valeu a pena, pois o visual lá de cima é muito bonito. Após contemplar o nascer do sol iniciamos a descida. O Magnus e o Luiz saíram na frente, pois estavam muito cansados e ansiosos para chegar no Terreirão.
Como estava debilitado, o Josmar e o Junior caminhavam de acordo com meu ritmo. Chegamos no Terreirão às 9hs30min, desmontamos o acampamento e fomos providenciar meu transporte até a Tronqueira, pois descer 3,7 km carregando uma mochila de 14kg e com o joelho estourado era inviável.
Por sorte o Luiz ao chegar no Terreirão encontrou o cara que faz transporte da bagagem de alguns turistas com uma mula e combinou com ele pra descer com a bagagem de todos e celar um animal para que eu descesse montado.
Luiz, Magnus, Josmar e Junior desceram caminhando até a Tronqueira e eu desci montado numa mulinha. Na Tronqueira arrumamos a bagagem no carro e fomos procurar um lugar para almoçarmos, pois estávamos famintos.
Almoçamos e pegamos a estrada rumo a BH.